Uma volta no museu

Como as escolas utilizam os espaços para aprimorar o conhecimento

O envolvimento com a arte facilita o reconhecimento que a criança tem de si em relação aos outros, aguça sua sensibilidade, sua capacidade de observação e está relacionada ao pensamento e à adoção de uma postura crítica em relação à realidade contribuindo na construção da sua percepção de mundo e de um olhar mais abrangente em relação as diversidades étnicas e culturais. As escolas têm cada vez mais utilizado espaços como museus para aprimorar os conhecimentos desenvolvidos em sala de aula.

Marcelo Pereira, professor de História do Colégio Marista Arquidiocesano e Coordenador do Projeto ARQUICULTURA explica que a escola procura trabalhar com a ideia de cidade educativa. A cidade é, em potencial, um museu a céu aberto. Além de realizarmos visitas monitoradas aos diversos museus e outros equipamentos culturais da cidade (Museu Lasar Segall, Pinacoteca, Memorial da Resistência, Casa Modernista, etc.,) desenvolvem projetos, tais como “O Órbitas Urbanas” da 2ª série do Ensino Médio que visam explorar e investigar as diferentes paisagens urbanas, bem como as possibilidades de leitura e de intervenção na realidade local. “A arte coloca as crianças em contato com o belo. Permite que elas se expressem por meio de diferentes linguagens e as faz ampliar seus canais de recepção e de expressão das múltiplas emoções que as compõem. O contato com as diferentes expressões artísticas deve ser tratado como aspecto fundamental do processo educativo das crianças, pois elas aprendem a expressar os seus próprios sentimentos e a respeitar os sentimentos dos outros. Realizamos, mensalmente, duas visitas monitoradas às exposições que estão acontecendo na cidade.”, detalha ele. É importante destacar que o colégio conta com um memorial, repleto de documentos escritos, visuais, materiais e orais. Procuramos trabalhar com a memória local de modo que os alunos se sintam pertencentes e agentes do universo escolar, desenvolvendo a autoestima por meio da valorização das memórias individuais e coletivas.

Segundo Mônica Gaboni Silva, professora de História do Colégio Salesiano Santa Teresinha, os educadores da instituição têm a preocupação em criar projetos que incentivem e destaquem a importância dos museus. Os projetos desenvolvidos envolvem as diversas áreas do conhecimento e têm como objetivo formar cidadãos conscientes da importância e da valorização do Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de nosso país e da humanidade. “As atividades são elaboradas no sentido de explorar o potencial educativo de museus e exposições, buscando não apenas “ilustrar” o conteúdo dado em sala de aula, mas o entendimento do museu como um local com grande potencial educativo, onde é possível ter contato com obras de arte originais e com diversidades culturais e históricas. Vale ressaltar que a arte tem também um papel significativo na pesquisa histórica por ser um importante documento de época.”. Ela complementa ainda que o envolvimento com a arte facilita o reconhecimento que a criança tem de si em relação aos outros, aguça sua sensibilidade, sua capacidade de observação e está relacionada ao pensamento e à adoção de uma postura crítica em relação à realidade contribuindo na construção da sua percepção de mundo e de um olhar mais abrangente em relação as diversidades étnicas e culturais.

O Colégio Eniac fomenta experiências que impactam na vida do aluno e a colocam ao lado dos conteúdos pragmáticos da escola. Por isso, incentivam os alunos a vivenciar os conteúdos, e uma ótima estratégia para isso é a visita a museus, exposições, como também a realização de exposições e trabalhos artísticos dentro da própria escola. “Nosso colégio conta com uma Amostra de Artes, que acontece anualmente e promove a experiência dos alunos com conteúdo acadêmicos de maneira viva e pulsando. Além disso, temos gincanas que envolvem trabalhos artísticos como danças, representação, música e pintura.”, conta Caio Fernando de Oliveira, professor e coordenador do Colégio Eniac. E complementa explicando que é inegável que isso transforma o ambiente e aproxima os alunos para perto de interesses comuns. É o que cria um clima agradável de trabalho em equipe, mas também oxigena nossas atividades acadêmicas e dá mais ânimo aos alunos. “Certamente é por isso que os alunos que se envolvem com estas atividades são extremamente ativos e procuram a parceria de outros amigos. Não é incomum encontrar alunos na escola tocando instrumentos, ou reunidos no nosso MediaLAb (Laboratório de criação artística) promovendo artes, digitais ou não. Sempre em grupos, os alunos se movimentam a fim de promover seus trabalhos relacionados às amostras e exposições do colégio, mas também o fazem desvinculados das atividades acadêmicas.”

O CCBB Educativo em São Paulo oferece até 7 de abril uma série de atividades gratuitas e paralelas à exposição “Jean-Michel Basquiat – Obras da Coleção Mugrabi”. Os visitantes podem participar de visitas mediadas, contação de histórias, leitura compartilhada, apresentações teatro-musicais, espaço sensorial, intervenção gráfica, entre outras atividades interativas que trazem uma nova leitura sobre a trajetória e obra do artista, símbolo da resistência negra e da cultura urbana em uma Nova Iorque dos anos 80.

Com a proposta de instigar novas abordagens e reflexões sobre a obra do artista americano Basquiat, a programação oferece atividades acessíveis para todas as idades e públicos, como crianças, adultos, idosos e grupos de acessibilidade. Além das visitas abertas – que não exigem agendamento prévio, mas dependem da disponibilidade da equipe -, é possível agendar visitas mediadas para grupos especiais formados por estudantes, instituições, associações, Ongs e pessoas com deficiência.

Foi desenvolvido um roteiro especial para pessoas com autismo, síndrome de Down, deficiência intelectual e com dificuldades de mobilidade, no qual são propostos jogos e atividades lúdicas que facilitam o entendimento da linguagem e mensagens expressas pelo artista. Grupos de pessoas com deficiência visual ou baixa visão têm a oportunidade de participar de roteiros com experiências táteis e descrições afetivas das obras do autor. Outra atração da exposição, o Programa Educativo selecionou histórias que trazem a inovação artística como temas próprios do processo de produção e técnicas, como a colagem a intervenção artística urbana, além de questões de afro-latinidade e da poesia, com uma abordagem mais crítica e sensível da exposição. Correlaciona as obras de Basquiat com títulos como A Diaba e sua filha, de Marie Ndiaye; Minhas contas, de Luiz Antônio; Falando Banto, de Eneida D. Gaspar.